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Processamento e rendimento visual. Ver 100% não é suficiente

Apesar de parecer um sentido simples e automático – basta abrirmos os olhos para ver –, a visão é um processo que envolve conexões cerebrais complexas e constante interação sensorial, motora e cognitiva. Enxergar nitidamente é apenas parte disso. Outros aspectos, como movimentos oculares, coordenação, controle e atenção visual, focalização, fixação, habilidades perceptivas, memorização, discriminação visual, visão periférica, coordenação olho-mão, localização espacial e sensibilidade à cores e contrastes são tão importantes quanto (ou até mais que) enxergar as menores letras da tabela de acuidade visual.

Para ler esse texto, seus olhos realizam incontáveis movimentos coordenados (sacádicos, de seguimento e vergenciais), calculam a distância para focalizar a acomodação, ajustam as pupilas para controlar a intensidade da luz que chega até as retinas, identificam e organizam as letras ao mesmo tempo em que buscam no banco de dados da memória o significado das palavras formadas por elas. Tudo isso ao mesmo tempo em que você interpreta o sentido das frases enquanto compreende e memoriza a mensagem. Esse processo dinâmico, ativo e veloz que exige grande esforço e gasto energético, depende da eficácia do sistema visual como um todo e sua interação com outros processos neurológicos.

A Avaliação do Processamento e Rendimento Visual envolve essas e outras habilidades, bem como sugere condutas para a sua reabilitação que muitas vezes deve ser conduzida por equipe multidisciplinar. Possibilita ainda a experimentação e indicação – quando necessária – de recursos especiais como lentes de rendimento, prismas, microprismas, prismas gêmeos e filtros de diferentes densidades, além de aconselhamento ergonômico e terapia (treinamento) visual neuro-cognitiva.

Frequentemente crianças são examinadas de maneira superficial e diagnosticadas com visão perfeita, quando apresentam desempenho escolar abaixo do esperado que pode estar associado, por exemplo, à falta de controle fino dos movimentos oculares. Apesar de inteligentes, não conseguem render o que se espera delas. Aprendemos a ver assim como aprendemos a falar ou andar. E se a visão é aprendida, ela certamente pode ser melhorada.


Fernando Nassif
Terapeuta Visual Comportamental
Bacharel / Especialista – UnC
CROO-SP 09.0427

ABC Aprendizagem